Desafios da advocacia

Em tempos de intensa metamorfose política, social e econômica em nosso país, poucas atividades sofreram tão radical mudança nas últimas décadas como a advocacia. De profissão quase aristocrática, maior parte sediada nos grandes centros urbanos, fruto do então reduzido número de faculdades, para os dias de hoje, com mais de um milhão de advogados e de 1.300 cursos de Direito, em que 75% foram inscritos na OAB nos últimos 15 anos. Ou seja, um novo perfil do advogado brasileiro, maior parte da geração Y, criando-se um conflito geracional e um padrão comportamental que tende a revolucionar o meio jurídico.

E se em 1990 ainda tínhamos uma economia fechada para o mercado internacional, em que a democratização do país era o maior desafio da área política; atualmente a globalização e o avanço tecnológico sem precedentes trouxeram novas demandas jurídicas e a criação de inúmeros nichos de mercado, transformando a gestão dos escritórios, que passaram a atuar através de advocacia especializada ou de equipes multidisciplinares. Com isto, a advocacia “artesanal” abrangente, do advogado sozinho que cuidava de múltiplas demandas do cotidiano, vem perdendo espaço no mercado, em especial nos grandes centros. Diante deste cenário de metamorfose constante, cabe ao advogado compreendê-lo e, principalmente, entender que o conjunto de competências e habilidades desenvolvidas até então precisa ser sempre renovado e aprimorado.

Passou-se a exigir um perfil multidisciplinar, que obriga o advogado a investir em inovação e conhecimento e a se manter conectado com as novidades tecnológicas e de sua área de atuação. A advocacia, por cuidar da litigiosidade social, do patrimônio e da liberdade, será sempre imprescindível, sendo que alguns atributos milenares permanecem sempre atuais e imprescindíveis para o êxito profissional: ética, resiliência, estudo e comunicação. Contudo, não é uma profissão de certezas, mas sim de esperanças, diferenciando-a das demais porque traz consigo as chamas da paixão e da busca por Justiça, cabendo ao advogado do século 21 compreender esta nova realidade e encará-la como uma oportunidade para seu desenvolvimento profissional.

Rafael Horn. Advogado.

Fonte: Notícias do Dia – Artigos | 13.09.2017